"The Guardian" é o primeiro jornal a recusar anúncio de empresas de combustíveis fósseis

Em 2019 o jornal atualizou seu manual de redação e adotou o termo “emergência climática” para dar a real dimensão e a urgência de se enfrentar a mudança do clima


O jornal britânico “The Guardian” é o primeiro grande veículo de imprensa internacional a anunciar que não aceitará mais anúncios pagos por empresas de combustíveis fósseis.

O anúncio, feito na quarta-feira, torna a empresa a primeira grande organização noticiosa a tomar a decisão de se afastar dos investimentos das maiores fontes de emissão de gases-estufa.


Em 2019 o “Guardian” atualizou seu manual de redação e adotou o termo “emergência climática” para dar a real dimensão e a urgência de se enfrentar a mudança do clima.


O anúncio de rejeitar estes anúncios foi feito em nota conjunta pela diretora executiva interina Anna Bateson e pela diretora de finanças Hamish Nicklin.

As diretoras lembraram que o aquecimento global é “o desafio mais importante dos nossos tempos” e destacaram as notícias produzidas pelo jornal sobre como o lobby de empresas de energia prejudica os avanços globais nesta agenda.


Ambientalistas têm dito que as empresas de petróleo, carvão e gás gastam em propaganda para divulgar investimentos modestos em energias renováveis enquanto continuam a colocar grandes aportes de recursos na extração de fósseis.


Em janeiro, a ativista sueca Greta Thunberg criticou jornais que aceitam anúncios de empresas ligadas ao setor de combustíveis fósseis.

Ela disse que conhecia apenas o caso do jornal sueco “Dagens ETC”, que se recusava a aceitar este tipo de publicidade desde setembro. “Qual será o primeiro grande jornal internacional a ter a liderança nisso?”, questionou Greta.


A empresa que publica o “Guardian” e “The Independent” tem o compromisso institucional de neutralizar todas as suas emissões de carbono em 2030.

As diretoras reconhecem que o anúncio é um golpe para o modelo de negócios do “Guardian”. Os jornais, de modo geral, vem enfrentando dificuldades nos últimos anos.


Elas reconheceram que a decisão “pode tornar nossas vidas um pouco mais difíceis no curto prazo”. Disseram, ainda, que alguns leitores gostariam que a decisão englobasse também os anúncios de carros e férias, mas que “a interrupção destes anúncios seria um duro golpe financeiro e pode nos forçar a fazer cortes significativos no jornalismo”.


As diretoras esperam que os leitores continuem a apoiar o jornalismo do “Guardian” e que a decisão abra caminho para novas empresas anunciarem no jornal. Lembraram que a publicidade continuará a ser fonte importante de financiamento dos jornais.


“O futuro da publicidade está em criar confiança com os consumidores e demonstrar compromisso real de valores e propósitos”, diz a nota.

A iniciativa ecoa em um movimento crescente de desinvestimento em combustíveis fósseis e que vem atraindo fundos de pensão e de investimentos, universidades e grupos religiosos na Europa e nos Estados Unidos.


A tendência de desinvestimento em combustíveis fósseis também foi um dos pilares de discussão da edição deste ano do Fórum Econômico Mundial, há poucos dias, em Davos, na Suíça.


Fonte: Valor Econômico




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