Biocombustíveis para zerar emissões de CO2 em Fernando de Noronha

Essa é a proposta da World Wildlife Fund – WWF, a partir do relatório ‘Geração de Energia em Fernando de Noronha’, onde concluiu que o uso do biocombustível de cana reduziria as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs)




Um novo estudo elaborado pela World Wildlife Fund – WWF, avaliando perspectivas e oportunidades para as energias renováveis em Fernando de Noronha, chega a uma conclusão positiva para o etanol. Segundo a WWF, uma das ONGs mais atuantes na área do meio ambiente, o etanol é a fonte energética mais barata e sustentável, no curto prazo, para abastecer o segmento veicular no arquipélago.

Analisando o efeito da adoção de 130 veículos elétricos, o relatório ‘Geração de Energia em Fernando de Noronha’ concluiu que o uso do biocombustível de cana reduziria as emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs) em 77%, potencial bem superior ao dos veículos elétricos, que produziriam uma redução de no máximo 52%.

“Faz todo o sentido usar um biocombustível mundialmente conhecido por sua sustentabilidade em uma das reservas ambientais mais importantes do Brasil, reconhecida pela Unesco como um Patrimônio Natural da Humanidade”, avalia Renato Cunha, presidente-executivo da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia – NovaBio. O executivo da entidade, que reúne importantes produtores do renovável de 11 estados brasileiros, também ressalta que há alguns anos o etanol vem sendo amplamente contemplado pela indústria automotiva no processo de eletrificação dos motores nacionais.

“A expertise brasileira lançada há mais de 40 anos e hoje amplamente presente com o carro flex levou o país a se tornar uma plataforma única para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras nos últimos anos, como o carro híbrido equipado com motor flex, e até um modelo movido a célula de combustível”, salienta Cunha.

Com o sucesso dos flex, hoje representando mais de 90% das vendas anuais de automóveis no Brasil, diversas montadoras têm buscado ampliar, com esta tecnologia, a mobilidade sustentável. A consolidada infraestrutura de produção e abastecimento de etanol é um diferencial visto como alternativa diante da falta de uma rede de postos de recarga para modelos 100% eletrificados, que ainda apresentam altos custos de aquisição e manutenção.

Em 2016, a Nissan apresentou a Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC, em inglês), que extrai hidrogênio do etanol anidro ou do hidratado em até 55% para gerar eletricidade em veículos. Em 2019, a Toyota deu outro importante passo rumo à mobilidade sustentável com o lançamento do primeiro veículo híbrido equipado com um motor flex do mundo, iniciativa desenvolvida em conjunto pelas equipes de engenharia do Brasil e Japão.

Noronha Carbono Zero

Além de recomendar o uso de etanol no setor de transportes, o estudo da WWF, de 28 páginas, também propõe outras soluções para tornar a ilha mais sustentável. O trabalho foi realizado com o propósito de contribuir para a implementação do projeto “Noronha Carbono Zero”, criado em 2013 pelo governo de Pernambuco com o objetivo de limpar a matriz energética da ilha até 2030.

Além da substituição da gasolina por etanol hidratado e do diesel por biodiesel no curto prazo, as recomendações da WWF incluem: a ampliação do uso da energia solar fotovoltaica, instalação de geradores eólicos mais eficientes e biodigestão dos resíduos sólidos, orgânicos e esgoto.

Dados da Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco indicam que 60% das emissões de GEEs em Fernando de Noronha têm origem nos aviões. Em 2014, em apoio ao projeto “Noronha Carbono Zero”, a Gol Linhas Aéreas promoveu voos mais sustentáveis na rota Recife-Noronha. Segundo a companhia, ao adicionar 10% de bioquerosene produzido a partir da cana ao combustível de origem mineral, as emissões de CO2 diminuíram em 30%.


Aqui o link para acessar o estudo completo: https://wwfbr.awsassets.panda.org/downloads/geracao_de_energia_fernando_de_noronha_versao_web_1.pdf


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