Biden traria mais vantagens

ELEIÇÕES Gestão do meio ambiente sofreria pressão. Postura do democrata pelos acordos multilaterais beneficiaria fluxo de investimentos



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Pelas análises da XP Investi- mentos, as relações comer- ciais e diplomáticas entre

os Estados Unidos e o Brasil são só lidas e não mudaram de forma significativa durante o governo Trump. Por esse motivo, a atual convergência não deve ser afeta- das no longo prazo, mesmo no caso da eleição de um candidato divergente.


“Joe Biden acabou ameaçan- do, inclusive com repercussões severas o Brasil durante o debate presidencial. Isso não é algo positivo para uma economia que já está enfrentando as dificulda- des da pandemia e também as preocupações fiscais, apesar de Biden ser um pouco mais posi- tivo para os mercados emergentes ao ter uma postura que favorece o comércio global”, diz Sol Azcune da XP.


No campo econômico, o can-didato democrata traz mais pre-visibilidade e isso pode levar a um aumento de investimentos e comércio como um todo, beneficiando o fluxo de investimento estrangeiro nos emergentes, grupo em que o Brasil está inserido. A pauta ambiental de Biden, inclusive, poderia beneficiar um importante setor da economia de Pernambuco, a indústria sucroalcooleira. “O governo Trump sus- pendeu os percentuais de mistura do etanol na gasolina para as pequenas refinarias no mercado interno deles”, comenta o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha. Segundo ele, é possível que a volta dos democratas ao poder também signifique a volta a obrigatoriedade da mistura de 10% de etanol na gasolina no mercado americano. “A lei americana permite uma mistura de até 15% de etanol na gasolina. Se eles aumentassem de 10% para 15% iriam permitir um espaço de 27 bilhões de litros, o equivalente a toda produção do Brasil”, conta. Isso não quer dizer que os americanos vão comprar toda a nossa produção, mas deixariam de exportar o etanol de milho deles para o Brasil. “O problema é que eles exportam para cá em plena Safra e a gente fica sem poder vender o nosso pro- duto, porque as distribuidoras ficam abastecidas como produto americano”, diz.


Segundo Renato Cunha, a concorrência como etanol americano não beneficia o consumidor final, já quem define preços são as distribuidoras e não o produtor. “As distribuidoras não repassam ao consumidor. O preço delas tem uma certa paridade coma gasolina”, diz.


De forma geral, a leitura de mercado é que uma vitória de Biden faria o dólar se enfraquecerem relação às outras moedas, deixando, portanto, o real mais valorizado. No mercado acionário, da vitória dos democratas pode trazer uma volatilidade de curto prazo, por causa da agenda de aumento de impostos dos democratas.


A pandemia que une os presidentes Trump e Bolsonaro no discurso, no entanto, vem prejudicando a relação comercial dois países. Este ano,o valor das transações comerciais caiu para onívelde11anosatrás,dejaneiro a setembro, último dado dispo- nível- cerca de US$ 33,4 bilhões, uma queda de 25% em relação a 2019. Os EUA são a maior economia do mundo e o segundo país coma qual o Brasil realiza mais transações de comércio.


ComaChinaoquadroseinver- te. A segunda maior economia do mundo éo principal parcei- ro brasileiro. As transações co- merciais aumentaram em 6,2% no mesmo período, US$ 78 bi- lhões, com superávit de US$ 28,7 bilhoes para o Brasil. Na relação com os EUA o saldo é negativo em R$3,1 bilhoes, ou seja, compramos mais deles.


O governo central e dasprovíncias têm total autoridade sobre a economia do país, e portanto, uma postura de acirramento político com aquele país pode terre- percussões negativas para a eco- nomia brasileira. Além disso, a guerra comercial liderada por Trump poderá prejudicar ainda mais a relação brasileira com a China. O país asiático produz barato e expor- ta muito para os EUA. A parce- ria com os americanos é a sua principal fonte de dólares, que em última análise, é usado para pagar as compras dos produtos brasileiros.


“Sea China perder o mercado dos EUA, perde sua fonte de dó- lares e cria um problema grande para pagar suas contas exteriores. Hoje suas reservas de dólares estão em baixa histórica e daqui a pouco o país não conseguirá mais pagar, anão serque o Brasil passe a aceitar o yuan como moeda de pagamento”, disse o sócio da ARC Capital, Rui Cavendish, em uma entrevista ao podcast Stock Pickers Infomoney.


Apesar de Biden ter uma postura de centro, o democrata, caso eleito, não deve aliviar para os chineses. “O governo Biden deverá tentar usar outras armas da diplomacia e dos acordos co- merciais, mas mantendo essa prerrogativa de que os chineses têm que entregar mais aos ame- ricanos”, diz Ivo Chermont da Quantitas.


Sol Azcune, da XP, avalia que há uma pressão do eleitorado americano para que o governo adote uma linha dura contra os chineses. “Apesar disso, Biden mudaria a abordagem. Ele tem uma tradição mais institucional, então a sua abordagem seria mais coordenada com os

aliados, como União Europeia e Austrália.”


Dentro deste cenário, a vida para o atual governo brasileiro não será fácil, que adotou uma política de alinhamento automático com o governo Trump, dentro do movimento conservador de teor nacionalista. No mês passado, Bolsonaro se uniu aos Estados Unidos e Japão para pressionar a OMC a cobrar o cumprimento do princípio de economia de mercado, num movimento contra a China.



Para Rafael CortÊs, da tendências, a solução do impasse poderia passar por uma postura mais de estado do que necessariamente de governo na política externa brasileira. “O Brasil poderia ter um ganho setivesse uma política externa mais pragmática e não desenhada apenas para questões domésticas”, comenta. “O risco comunista é muito mais uma manifestação política do que estratégia crível de inserção internacional”, critica. O problema vai ser aumentado coma decisão, deixada para o ano que vem, da cobertura 5G.Os EUA pressionam o Brasil a não aceitar os equipamentos da Huawei,empresa de telecom ligada ao exército chinês.



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